Elas comparecem a grandes recepções trajando vestidos deslumbrantes, sem nenhum colar ou par de brincos. Quando usam, até coloridos demais, são de pano, produzidos pelas crianças de um projeto social de combate a prostituição infantil. Adoram broches, dos camafeus às platinas. Sandálias, em que pesem possuírem um acervo de causar inveja, somente as envergam nas ocasiões informais. Do contrário, sapatos fechados, do mocassin ao Chanel, compõem a pisada. Cabelos sempre a seco, soltos ou presos, e sob este perfil, acondicionados por prendedores simples, sem qualquer indício de zircônia. Aliás, essa gema é algo que não existe. Se for para brilhar, que seja diamante. Porque brilhante é expressão e acessório de quem nunca dispôs de um ourives na agenda e recorre à bijuteria. Por sinal, quem inventou isso? Em tempos de socialmente responsável, não é de bom tom imitar nada, tampouco ninguém. Que seja até artesanal, desde que natural. Pretinho básico é termo que não existe no dicionário delas. Porque vestir preto somente em luto extremo ou peso de mesma acepção. À exceção aquele smoking feminino de bom corte para soirées que exijam tal aposta. Em contraponto o branco é dos matizes de preferência, sobremodo para verem nos guarda-roupas à disposição de um grande evento e serem vistas singulares nas intensas paletas de cores sociais por aí. Singularidade, a bem da verdade, é ferramenta para circularem com peças de alfaiataria, sem estampas, florais, xadrezes, bordados e rebordados de canutilhos e pedrarias sintéticas privativos de suas antagonistas. Quando chegam, é no hor&aacu te;rio. Ao saírem, britanicamente como entraram. Muitas vezes até sem se dirigirem ao buffet, e quando por lá, optam pelos cremes sem qualquer possibilidade de brigarem com guarnições nos pratos. Sabem comer, do mesmo modo que beber, na medida certa para grandes ocasiões. Agradecem a tudo, inclusive a disputa dos 10 metros livres para a melhor colocação na selfie que vai virar notinha na coluna social. Quando clicadas, os fotógrafos as buscam aonde quer que estejam, porque sempre vão ser notícia sem terem os semblantes desgastados quando insistem em invadir a privacidade alheia nos periódicos semanais ou de fins de semana. Não recostam nos assentos, não falam alto. Vivem sorrindo, em que pese jamais gargalharem em público. Celular parece nem terem, pois ficam na bolsa prontos a serem acessados na saída, quando aguardam o carro para o embarque. E, ainda, s&oa cute; desembarcam quando parte de um evento efetivamente. Jamais por conhecerem, de longe, a filha da prima da vizinha que cumprimentou uma única vez no almoço da madrinha de crisma daquela colega de trabalho. Nesses casos, agradecem, alegando impossibilidade de comparecimento. Pagam um alto preço que nem todas estão dispostas a pagar. Mas por isso são únicas. Idolatradas, mesmo que criticadas, por todas as demais. Fato naturalmente justificado pelo princípio de serem ícones da sociedade. Tem quinhentinhos aì para pagar esse preço?

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