O efeito terapêutico do choro depende do momento. É subjetivo e particular. A disponibilidade da família e amigos pode ser um apoio importante, porém pode vir com julgamento ou até impedimento. O vínculo afetivo dificulta para que esse momento seja terapêutico.

Muitas vezes, quando o adulto sente necessidade de chorar, ele atualiza a criança que quer ser acolhida e acalentada. A criança que pode ter sido desqualificada em seus sentimentos e expressões. Até porque os pais entendem que assim devem fazer para promover a educação. O fato é que uma coisa não exclui a outra. Podemos impor limites e educar sem precisar desqualificar as demandas de nossas crianças. Desde bem pequenos somos incentivados a não expressar nossos sentimentos. Acho que nisso se enquadra a expressão “engole o choro”. E com certeza isso não é bom e não proporciona saúde emocional.

Chorar para um profissional de saúde mental é diferente. Na relação profissional forma-se uma aliança terapêutica com técnica e abordagem específica, onde a pessoa terá a oportunidade de chorar, refletir e elaborar a dor que está vindo naquele momento da terapia. É a oportunidade de exteriorizar sem constrangimentos, emoções como tristeza, solidão, desespero e desamparo.

A maioria das pessoas relatam que depois de uma crise de choro experimentam uma sensação de alívio, como se ajudasse a ver as coisas de uma perspectiva diferente. Mas na prática terapêutica isso as vezes não é regra. Embora em alguns casos, mesmo na terapia, há pessoas que continuam a associar como se o choro fosse sinal de fraqueza. Alguns pedem até desculpas e se sentem culpados pelo choro, principalmente os homens, que entendem como emoções negativas e dentro dessa percepção levam tempo para desconstruir essa estrutura rígida de repressão que vem junto com muito sofrimento.

E mais, outros especialistas afirmam que as lágrimas limpam e lubrificam as pálpebras e os olhos, e previnem a desidratação de várias mucosas, melhorando a nossa visão. São poderosos antibacterianos e antivirais. Esse fluído presente nas lágrimas chega a matar 95% de todas as bactérias em apenas 5, ou 10 minutos.

Outra curiosidade é que quando há distúrbios emocionais, ansiosos, agressivos, irritáveis, ou quando a pessoa se sente fadigada, pode ser pelo excesso de manganês no organismo. E chorar diminui o nível de manganês. É por isso que quase sempre sente-se alívio depois de uma boa descarga de lágrimas.

Então chore quando for preciso. Tente não engolir o choro, você pode está engolindo um veneno.

Como diria William Shakespeare : “Chorar é diminuir a profundidade da dor.”

Um forte abraço!

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